Saturday, June 30, 2007


Pato Bravo

banda sonora - Ratatat - Seventeen Years

A Polícia Judiciaria fez uma operação que visou apurar milhões de euros em fuga fiscal por parte de empresas de construção civil. Mas no meio disto tudo, há algo preocupante. A operação, segundo a PJ, chamou-se "Operação Pato Bravo", o que, como é conhecimento geral, é uma expressão de calão, de tom negativo, utilizada precisamente para a classe dos construtores civis.


Este gosto (ou falta dele) na escolha das operações devia claramente ser pensado. Numa sociedade de informação como a nossa, onde nos arriscamos tanto a um sentimento punitivo geral e onde a condenação não é feita por tribunais que demoram anos a decidir, mas por jornalistas que julgam tudo poder e saber (dos quatro poderes há algum que, actualmente, funcione tão rapidamente como o quarto poder em emitir irresponsáveis juízos de culpabilidade) onde uma mera acusação é quase uma sentença de culpabilidade a nossa querida Polícia parece não resistir a colocar algum escárnio julgador na sua actuação.


É pena, pois os construtores civis continuarão a ser vistos da mesma maneira pela sociedade (que também não os vê muito bem de qualquer maneira), quem perde com este tipo de decisões é a própria PJ, a qual se revela vulnerável ao ressentimento, ao insulto, ao mau gosto. Como pode uma polícia assim ser levada em conta como parte da soberania nacional? Quem quer ser respeitado tem de fazer o mínimo para o merecer.


Parece que se aplica a velha máxima, da Teresa que andava na escola primária comigo que me apontava o dedo e dizia "...quem chama é quem é, quem chama é quem é..."

Sunday, June 24, 2007

Master of my faith, Captain of my Soul

Banda sonora: The Clash - Career Opportunities

B. acorda de manhã, uma nova era começa. Olhando para o relógio sabe que tem tempo suficiente. Mais do que suficiente conclui, enquanto toma o pequeno-almoço fixado no texto do pacote de cereais que ele sabe de cor, mas de manhã ajuda a não pensar. Entretem-se a fazer contas matemáticas. Barbear e Banho x minutos, vestir y minutos. O tempo é mais do que suficiente, conclui.

Escolhe o fato, não pode ser qualquer fato, hoje é um dia especial, é o seu primeiro dia no novo emprego. Procura um relógio, o melhor. Deixado pelo avô quando morreu, tem saudades do avô no qual pensa sempre que usa o relógio, mas usa o relógio sem qualquer sentimento de culpa ou remorso. Um avô não é um pai, aceita-se melhor. Procura a gravata, a tal gravata, aquela que não poderá sujar ao almoço, nada de sopas ou ensopados, foi cara esta mas fica muito bem com aquela camisa. Onde está a camisa? Oh não, será que a usou? Não, estava um pouco mais à esquerda no armário do sítio onde a costuma deixar. Veste-se, hoje, de um forma algo ritualizada, como se fosse a sua armadura em vespera de batalha. Há que causar boa impressão ao novo chefe. Os adereços entram no fim, o relógio a caneta a carteira, olha ao espelho e procura um sorriso confiante. Não há, isso é só nos filmes. Sai de casa depois de localizar as chaves de casa e do carro, estão no sítio do costume. Quando chega cá fora lembra-se, hoje é o seu primeiro dia da sua vida em que é desempregado.


Cansou, né?

banda sonora: Hefner - Repression Song

Estou cansado! Declaração egoísta e irrelevante aos outros. Apetece-me atirar o portátil pela janela, mas não posso. O facto de viver ao nível da rua tira o ar dramático da coisa e o facto de precisar do meu portátil tira qualquer remanescente vontade de o fazer. Mas apetece-me atirar o portátil pela janela fora porque estou farto dele. Estou farto dele porque o tenho usado sem descanso. Tenho-o usado sem descanso porque preciso dele e por isso, não o posso atirar pela janela. Pequeno puzzle.

Estou cansado de fazer um trabalho que é aborrecido, que trata de Direito Espacial e quando o tempo está a passar para poder começar a minha tese em paz e sossego. Quero trabalhar em exclusivo na tese, mas não posso. Trabalho devagar, mas não me consigo despachar sem ter real vontade de cortar os pulsos. Leiden, a minha Sabrosa Holandesa, continua na mesma. Por vezes, um palco montado numa das praças com uma banda popular holandesa que merecia ser atirada ao canal mais próximo. Atados aos instrumentos de preferência.

P.S. Quanto mais leio sobre ela, mais temo pela Lua. Quanto mais sei sobre ela, menos encantadora me parece quando a vejo à noite. Depois sinto a mão de Cássio sobre o meu ombro, a minha peça favorita passa-se na minha mente e tranquilizo-me: "The fault, dear Brutus, lies not in the stars but upon ourselves".

Pedalo tranquilamente para casa, a aplicação do "precautionary principle" à exploração espacial espera-me. No meu portátil claro está.

Thursday, June 21, 2007


Inland Empire - existência, essência.

banda sonora: Fat Truckers - Superbike (disponível na playlist)

Quando era miúdo sempre pensei que a existência linear era algo muito porreiro. Sem ela, nem sequer poderia jogar, ou ver, futebol.

Não sei ao certo onde acaba a Mulholland Drive. Nem sei ao certo onde começa, já agora. Certamente em Hollywood começará, (ou acabará... whatever...). Não sei ao certo qual a fronteira de Inland Empire. Será no seguimento de Los Angeles. Também não sei porque é que Lynch decidiu, a determinado ponto, que os seus filmes deveriam ter um título com sentido geográfico. Se calhar não decidiu. Mas que Inland Empire me parece a um passo de Mulholland Drive parece. yo no digo que lo sea, pero que sí, que parece!.

Quem procurar uma crítica cinematográfica decente, não a encontra aqui. Não sou crítico profissional. Sou jurista e daí este parágrafo me cheirar a "disclaimer", e "disclaimers" cheiram mal, por isso há que acabar o parágrafo imediatamente.

A porra do filme é uma montanha russa de três horas. Montanhas Russas são fascinantes pela sensação de perigo que transmitem sem se correr realmente algum perigo. Para mim, aquelas três horas (bom, descontando os minutos em Polaco legendados em Holandês em que apenas me sentei na cadeira reconfortando-me pensando que não eram aqueles diálogos que me explicariam o filme), foram um perigar da minha existência linear, dos simples conceitos de espaço e tempo, de um filme sobre um filme amaldiçoado (e até que ponto são dois filmes diferentes) pois a maldição é a eterna confusão de paralelos, existências trocadas, um perder dos sentidos mais inerentes à existência humana que é sabermos onde estamos e em que momento.

É uma continuação do Mulholland Drive, é um passo em frente, é um pouco à frente na estrada seguindo as poderosas auto-estradas de L.A., é a mesclagem total de filmes sobre filmes sobre espectadores sobre filmes sobre ontem sobre amanhã sobre salas que se repetem num espaço contínuo, um salto de trapézio sem ninguém do outro lado que segure e a queda, a queda nunca mais acaba, pois não há tempo ou distância que a controle. Não percebo quem odeia o filme e à saída diz que não percebeu. (de novo visito na memória o momento em que saí do Mulholland drive, insatisfações iguais, na altura em Madrid, desta vez em Haia). Porquê tanta raiva de não perceber um filme quando não oiço comentários raivosos contra a nossa existência por não compreender a sua essência?

Adorei o filme...acho! Sei lá por que universos andei.

Monday, June 18, 2007


Chuva


banda sonora: Pink Martini - La soledad (disponível na playlist à direita)


Bate leve levemente, como quem chama por mim,


Será chuva será gente, chuva não é certam...


hey! claro que é chuva! Afinal, estou na Holanda e há mais de uma semana que chove todos os dias.


Ainda bem que o inverno acabou, que o frio se foi. Agora, fica apenas a certeza de que sair de casa sem um chapéu de chuva é um erro, que um passeio no parque só pode ser concluido com um sentar na relva se levarmos um saco de plástico pois a relva está sempre molhada.


Aqui não há dança das estações, há uma valsa de todas as formas gramaticais e lexicais possíveis para definir mau tempo. Nos meses que cá passei, os quais nem quero contar, já tive vento, frio, chuva, neve, tempestades e trovoadas. Agora olho lá para fora e enquanto oiço o som da chuva nas janelas e no chão não consigo deixar de me sentir melancólico.

Thursday, June 14, 2007



Vilar de Mouros

Ao menos que este blog sirva como muro, não de lamentações, mas de protesto, de palavras bradadas! Se ninguém lê, serve para não morrer de cancro, que reprimir faz cancro.

Li hoje no jornal "O Público" que o festival de Vilar de Mouros deste ano foi cancelado.


Depois vou ver o jornal desportivo, onde mais uma vez o Porto e o Benfica andam atrás dos mesmos 3 ou 4 jogadores como se não houvesse mais do que 30 futebolistas no mundo inteiro para todos os clubes do mundo.

O que é que uma noticia em a ver com a outra?
Para mim, sempre o mesmo estúpido problema da mentalidade.
Falemos do festival. O festival será cancelado por falta de apoio da câmara, a falta de apoio resulta de conflitos entre a câmara (PSD) e a junta de freguesia (CDU) originados já na discussão do traçado da A28.
Ora, de "trincas" e "guerras" perdem todos os outros, a câmara e a junta podem ter diferendos, mas podem também coordenar a realização de um festival que ajuda ambas. Assim, perde a junta, perde a Câmara, perdemos todos que ficamos sem festival.
Esta incapacidade de deixar os diferendos de lado para realizar um bem comum é um lástima constante em Portugal, mostra relações institucionais "de criança" entre dois órgãos políticos eleitos e deixa-nos a desejar que seja realizado um festival a poucos kilómetros, do lado Espanhol da fronteira. Depois vem o choradinho, sem qualquer admissão de culpa e sem perceber como pode tal coisa ter acontecido.
Imagine-se a secretária do Presidente da Câmara, um dossier chamado Vilar de Mouros, e o Presidente coloca um "x" no topo só por culpa de um outro dossier. Se calhar até acha que é uma forma de pressão (infelizmente, nem acredito que seja um problema de cores políticas porque já ninguém é ninguém neste país), mas não acredito que seja tão cego ao ponto de não reconhecer que também se prejudica. Cooperar em certas áreas com uma junta enquanto existem diferendos noutra área não é hipocrisia, é governar. Ou alguma empresa deixa de vender a um cliente mensal porque uma factura com dois anos anda em diferendo entre as partes?

Igual com o futebol, onde a luta pelos mesmos jogadores aproveita apenas aos agentes, que veem as propostas inflaccionar com um aceno ao clube rival do jogador pretendido por um, depois é só esperar pelo outro e esfregar as mãos de contente, como a Raposa as esfrega sempre que vê um parvo ao pé do poço, e toda a gente sabe como nós gostamos de ser parvos.

Wednesday, June 13, 2007


Otário - (masc. sing. adj.), termo de gíria aquele que defende a localização da Ota para o novo Aeroporto de Lisboa,

(Zool.) ontário; género de Crustáceo.

banda sonora: Pink Martini - Je ne veux pas travailler

Não queria falar da Ota. Mas vou falar da Ota. O que tenho a dizer da Ota, já o disse várias vezes, por isso vou apenas preocupar-me com o défice de discussão em redor do tema. Sim, é possível que alguém ache existir um défice de discussão sobre a Ota, não porque não tenha já muito sido dito e escrito sobre o novo Aeroporto. Até acho que já está tudo farto disso, apenas, por culpa dos media que não fizeram o seu trabalho de casa ou por culpa dos políticos Portugueses que continuam a preferir reiterar discursos demagógicos sobre a real discussão dos temas ou mesmo, em último caso, de um público que permite este estado das coisas (pois todo os poderes, desde os três de Montesquieu ao quarto poder da imprensa têm como base de poder uma sociedade que permite esta atitude).

Preocupo-me pois com um novo Aeroporto de que ninguém fala, ou que apenas se fala da quantidade de sobreiros ou pinheiros que serão abatidos, acusados de desconfiança ouvem-se a meia voz sobre quem fará dinheiro fácil com os terrenos na Ota ou na margem sul (e já agora, porque é que ninguém se pergunta sobre quem vai lucrar com os terrenos do actual Aeroporto da Portela?), deixando as questões referentes à politica de aviação nacional na gaveta.

Ok, alguém vai ganhar dinheiro em especulação imobiliária, mas isso já sabemos nem outra coisa podemos esperar num país onde cada metro quadrado serve para construção urbanisticamente mal planeada. Que arquitectos fazem concorrência a Solicitadores no jogo de favores de departamentos urbanísticos em Portugal não é mistério, mas a construção de um novo Aeroporto deve levantar questões na sociedade Portuguesa bem mais específicas que o simples erguer do betão.

Por exemplo, qual é o aumento real de capacidade do Aeroporto da Ota relativamente ao Aeroporto da Portela? Mantendo duas pistas e meia duzia mais de terminais depressa ficará lotado, há realmente capacidade de expansão? Por outro lado, Aeroportos servem para servir companhias aéreas numa industria conhecida por ser cíclica, podemos prever que o aumento de tráfego no Aeroporto se mantenha a crescer continuamente nos próximos anos? Quais as previsões da Industria Aeronáutica para Lisboa, e da TAP a qual "é voluntariada" pelo Governo para assumir a posição de transportadora dominante no novo Aeroporto?

Outra questão que me preocupa é o financiamento do projecto. Quando a Ota foi aprovada foi definida uma forma de financiamento semelhante à usada no novo Aeroporto de Atenas. O problema é que a Olympic Airways faliu precisamente por ter sido "voluntariada" pelo Governo para assumir uma posição de transportadora dominante naquele Aeroporto. O paralelismo entre o caso da Olympic e da TAP assusta-me quanto ao futuro desta última.

A qual será privatizada e "enfiada" no novo Aeroporto. Esperemos ao menos que o projecto de "dar lugar a low-costs" na Portela haja sido abandonada. Quem papagueia tal solução deveria pensar no que diz e fazer um "reality check", mas por acaso a TAP conseguiria competir em voos para Lisboa contra low-costs a pagar menos para voar para o centro de Lisboa em vez de aterrar a 50 kilometros? (ou 60, ou 40, a questão é a mesma). Não há problema, o rei passeia-se pela rua enchendo os bobos a boca com guizos e gritos de "hub". Pois, "hub", voos de sexta liberdade a passar pela Ota. Curiosamente as operações "Hub and Spoke" estão em declinio para transportadoras nacionais pequenas e médias. Mas isso descobriremos daqui a uns anos, da pior maneira.
Daqui passamos do Aeroporto para a TAP: Que tipo de privatização? Investidores nacionais ou comunitários? Tem a revisão de Acordos de Serviços Aéreos sido feita ou preparada pelo Governo Português para enfrentar essa realidade?


O governo Português, o qual é proprietário de todos os Aeroportos Portugueses e de todas as transportadoras regulares Portuguesas tem um plano forte de privatização englobando a ANA e a TAP, mas os contornos não são conhecidos e, pior ainda, não são discutidos em praça pública. Mais assustador é pensar que o regime de todo um sector industrial Português vai ser revolucionado e os títulos dos jornais falam da mais-valia dos terrenos dos Aeroportos. Somos mesmo um país de betão.

Monday, June 11, 2007



Patti Smith said Goodbye


Banda sonora: Doves - There goes the fear


Alguma saudade levarei comigo de Leiden. (Não fosse, como Português, um ser condenado à saudade de todos os sítios que ficam para trás). Terei saudade de, como disse um dia o Pedro: "ir para casa e levar uma holandesa no banco de trás da bicicleta".

De qualquer forma, às vezes penso naqueles sítios onde vamos uma vez na vida e onde pensamos nunca voltar para depois, repetidamente, lá irmos. Tornam-se parte da nossa vida e temos de os repetir vezes e vezes sem conta, sempre contrariados. Como eu espero que Leiden não seja assim para mim.


P.S. Ontem era o concerto da Patti Smith, só soube há três dias e por isso já estava esgotado, au revoir my darling. Um dia destes encontramo-nos, o Mapplethorpe não tinha nada que eu não tenha (coff,coff)

Saturday, May 19, 2007






Ban economic theory from your lives.


banda sonora: Aretha Franklin - Think (Aretha is available at the playlist on the right side)

"Once upon a time, there was a man who lived by the principle of profit maximisation. He had long realised that he needed hardly any sleep and could eat all meals in front of the computer screen; that most social contact was pointless. His marriage was long over, and he hadn’t seen his parents in 2 years. Once upon a time, there was a man who lived by the principle of pleasure maximisation. He had long realised that there was no point in pursuing success, since the time and effort invested did not match the results; that the people he met on the square were all the friends he needed. His wife had left him, and he hardly spoke to his parents. One day, Man 1 ran into Man 2 as he was hurrying across the square. For a brief moment, their eyes met, and scorn mixed with a twinge of envy. On the other side of the square, unnoticed by both men, a couple has just finished lunch in a small restaurant. They kissed good-bye and both returned to work."




by René, Anneloes, Kati and Andrews

Thursday, May 17, 2007



Recomendações musicais

banda sonora: Babe Roth - Mexican (available at the right side playlist)

Recomendações musicais são uma treta, são minhas e pronto. Por outras palavras, os albuns que, de seguida, decidi recomendar, estão aqui porque me apeteceu (um proverbial, "porque pronto!").

Porque é que são bons? Eu não sei se são bons, estão aqui porque nos últimos meses foram os albuns que mais gostei de ouvir. Um deles até é velhote e o outro do ano passado...é a vida, oiçam se quiserem, senão também não vale a pena

- "A plus tard, crocodile" dos Louise Attaque

- "Dreamt for Light Years In The Belly Of A Mountain" do Sparklehorse

- "Money for All" dos Nine Horses

Sunday, May 13, 2007




banda sonora - Johnny Cash - Personal Jesus (available at the blog playlist on the right side)

Bispo de Leiria-Fátima denuncia seitas católicas a "explorar generosidade dos fiéis"

13.05.2007 - Edição Online d' "O Público"

O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, afirma que há seitas católicas e grupos esotéricos a "infiltrar-se" em Fátima para "explorar a generosidade económica dos fiéis".
Em entrevista publicada na edição de hoje do "Diário de Notícias", D. António Marto reconheceu que esses movimentos se "aproveitam" de um clima que "ainda não levanta suspeitas à polícia" para se infiltrarem."Há pessoas e movimentos que às vezes querem aproveitar-se de Fátima e do clima de acolhimento que aqui se vive. Trata-se de desvios, de levar para extremos determinadas devoções, de explorar os sentimentos das pessoas. De explorar a generosidade económica dos fiéis", afirmou.
Terá a Igreja Católica procedido à competente denúncia à Autoridade da Concorrência?
Lembro-me de ir a Fátima algumas vezes, ainda que esteja longe de praticar qualquer forma de religião ou de ritual na minha vida (descontando o ritual do banho matinal, da saída à noite no fim-de-semana, etc,etc,etc...), curiosamente sempre achei aquilo uma exploração religiosa da generosidade económica (e não só) dos fiéis. O problema então, será quando feita por outras seitas, o que até é compreensível, a I.U.R.D. ficaria chateada se a Igreja Católica aproveitasse as celebrações para cobrar dízimo para a paróquia mais próxima (ou para pagar o bifito no Império ao padre), de facto, há que estabelecer territórios para estas coisas de fiéis e dádivas, senão ainda temos guerra de gangs.

Thursday, May 10, 2007

Wearing the Veils
banda sonora: The Veils - Pan

Hoje vesti a minha t-shirt dos "the Veils" mais uns "the". (Lembrou-me que o Eiró esteve cá este fim-de-semana e que foi óptimo vê-lo). Chove lá fora, chove há dias. As duas semanas em que esteve sol fez-me, de novo, falar cedo demais. Perdi tempo a elogiar a forma fantástica como os holandeses se transformaram em pessoas felizes a saborear o sol pois, como bom Português, um sol que aparece em Maio é um inverno que se vai embora. Pois, falei cedo demais, o mau tempo voltou, é ainda mais horrivel sair de casa agora quando penso que já houve dias bons, bons dias para andar de bicicleta e ver pessoas sorridentes. Eles não estavam a viver a vida, estavam a viver um pouco de sol que tentam aproveitar com tudo o que podem. Gosh... que clima horrivel. O pouco prazer que retiram é de uma "nouvelle vague hope". Dizem que com o aquecimento global daqui a 50 anos terão clima mediterrânico, errado, daqui a 50 anos metade do país afundará. Falo do fundo de tristeza que é estar farto deste tempo, da frustração que foi ter tido sol que cedo foi embora. A minha pedra de Sísifo acabou de rolar colina abaixo.



O Nosso herói, afinal, é uma lagosta
banda sonora: the B-52's - Rock Lobster
"Iniciando a leitura d'"O elogio do fracasso", quero partilhar convosco a dor que é ler isto. O primeiro parágrafo descreve sapateiras e lagostas amontoadas como calhaus de algum templo havaiano, a metáfora é, tal como o resto do capítulo e suspeito o livro, fraca e com um sentido de visualização reduzido. Primeiro a religião predominante do Havai é, como todos sabemos, o cristianismo, por isso o templo não deverá ser muito diferente do normal e depois...porquê um templo havaiano?

A primeira intervenção do nosso herói é em direcção ao empregado – "leve sorriso cruzado de esgar" – e depois o pensamento completo de sorriso de quem "não está disposto a dar-lhe trela para prosseguir com uma longa palestra sobre psicologia crustácea". Bom, assim que o nosso narrador cria toda uma imagem de aquário de restaurante, para onde o nosso herói olha fixado para, no primeiro momento possivel, sacrificar e criticar o empregado como sendo aborrecido. Bom é verdade que falar de sapateiras e lavagantes é aborrecido, mas quem começou foi ele, fixado como parvo a olhar para o aquário.

As primeiras páginas, passadas num restaurante "A pérola de Cacilhas", são dedicadas ao contexto social do herói, aparentemente é uma daquelas familias que vai almoçar fora aos domingos enquanto se vê à rasca para pagar a quinta prestação do renault 5, o almoço de domingos é o que prende o herói à familia, (será um sagrado ritual de templo cacilhence?) e o domingo é descrito como "a Guernica de beatas retorcidas despenhadas no cinzeiro sob os narizes enjoados de frituras vaporosas" (mas alguém me explica o que são narizes enjoados de frituras vaporosas?).

A primeira conversa com os pais, não tem qualquer densidade psicológica, respostas evasivas a perguntas inocentes da mãe sem qualquer desenvolvimento da personagem sobre o conforto com que enfrenta o seu contexto familiar. No fim da pequena conversa, a conclusão. "todos somos crustáceos" (temo que o autor esteja a ser autobiográfico com a sua familia nesta afirmação).

De repente os nomes, a mãe chama-se matilde, o nosso herói, infelizmente, Francisco. . Depois de tentar pagar o jantar ao pai (é estagiário, vive sozinho, paga almoços à familia, não está mal de finanças este estagiário), vive na calçada da Ajuda.

Aqui, vem o pior do capítulo, a Paula. Todas as personagens que até agora apareceram são estereotipadas, o que não seria chocante se não fossem desprovidas de sabor, a Paula tem a idade do herói, fuma no templo budista por baixo do apartamento dele, é casada com um idiota qualquer que passa a vida em viagens de negócios e, obviamente, tem um romance quente com o nosso herói, cruzar-se com ela era "o meu momento zen do dia".

Uma frase, tenho de vos deixar, bem sei que isto vai ficando grande mas é mau demais para não citar "Depressa nos tornámos amantes. Alguma lei natural o impunha, provavelmente a mesma que faz dois besouros caídos numa poça de chuva agarrarem-se mutuamente, como se isso os impedisse de afundar" . O homem devia era ter citado no inicio do livro a introdução do dto. da concorrência do Ascensão.

Obviamente a Paula fica caídinha por ele enquanto o valente herói (recuso aceitar que se chame Francisco) a despreza e quer acabar com ela. Em conclusão, as personagens são nulas em densidade psicológica, e ridiculamente estereótipadas. A secundaridade das personagens roça a irrelevância perante o herói brilhantemente iluminado, de forma a livrar-se delas, atribui-lhes tarefas mecânicas sem relevância (A irmã passa a vida a brincar ao telemóvel – a horrenda e super-acutilante critica social a gerações mais novas - , os pais são "white trash", a Paula amante roça o ridiculo enquanto personagem). Poucas pistas são dadas quanto ao herói e em si contraditórias, identifica-se com os pais e sente-se motivado a manter-se na conversa de mesa após almoço, curiosamente, mantem uma critica ao contexto social com o qual não quebrou laços, de onde só podemos concluir que ele julga-se melhor que eles e mantém um horrível cinismo com a familia. Contudo nada disto transparece do texto. A figura de estilo que, infelizmente, abunda, é a metáfora mas para nosso azar os comparantes escolhidos são rebuscadamente fracos e muitas vezes, a semelhança induzida entre os dois elementos é parca ou inexistente. Não raro, não vai além da comparação ou longos e aborrecidos exemplos.

Momento do capítulo: "Aquele ritual de conchas escarlates roçando num compasso dorido parecia de facto um acto de compaixão, uma dança derradeira de consolo para a [caranguejola] recém-chegada, em que todos carpiam um destino comum e encomendavam as almas ao deus das criaturas moles encalhadas em casquinhas, aspirantes a copiosas parrilladas".

Tuesday, May 08, 2007

O elogio do Fracasso – Início do fracasso

Ora bem, eu sei que prometi a alguns chegados amigos que, em virtude do meu horário totalmente académico, perderia tempo da minha vida a, entre fotocópias de artigos de Direito Aéreo, ler o livro do João Freire. Um misto de samaritanismo com masoquisto e, obviamente, ter o prazer de desperdiçar tempo. Algo que não durará muito tempo.
Contudo, demorei a começar. A culpa não é minha, ou melhor, é, pois tenho o hábito de folhear um livro antes de o começar a ler e cada parágrafo que lia quando abria o livro ao calhas deixava-me um sentimento amargo. Que má quimera em que me deixei arrastar. Não preciso acabar o livro para dizer que, em circunstâncias normais, nunca me daria ao trabalho de ler isto. Como as circunstâncias não são normais, releguei-o a livro de casa-de-banho (para não usar um termo mais escatológico que rime com “livro de cabeceira”) e, cheio de sentimento que as selecções do Readers Digest não serão muito melhores e mesmo assim enchem casas de banho pelo país fora, decidi começar.
Ora parabéns à Dia ao Nuno e à Helena, todos eles são alvos de dedicatória pela inspiração coragem e, finalmente, à Helena por ser a Helena. Ok! Assim que se tudo correr mal não há problema, ele inspirou-se na Dia. (Será ela a famosa advogada apalpada com quem sou suposto cruzar-me no livro?). Página virada, um mundo enorme de chavões que me ocuparão o resto do mail. Em primeiro lugar, Allen Ginsberg com o ínicio do “Howl”. Curiosa escolha, tal como o índice num livro técnico, as citações que são escolhidas pelo autor são sempre um passo importante do livro. Será que o escolheu por ser da beat? Por quase ser comunista (o que está em voga nas gerações novas e estará até ao dia em que tiverem de perder o sentido de propriedade) ou, temo, pelo facto do Ginsberg ser pedófilo? (há claro, a ideia de que haverá um suculento capítulo sobre escalas no DIAP e como as melhores mentes da nossa geração se encontram perdidas na droga)
A segunda citação parece responder à questão anterior, é de uma letra dos Doors e diz: “We need someone or something new/something to get us through”. Não sei o que acham, mas a mim claramente apoia a ideia da pedofilia.
Finalmente, como se o que vem antes não nos tivesse já enchido com a frustração do autor que até este momento não escreveu nada, recebemos uma selecção do Sutra do coração. Ora, seleccionar pedaços de um sutra é algo sempre complicado ou pelo menos, não é exactamente igual a seleccionar um parágrafo da biblia, curiosamente ele fica-se pela ideia geral, “a forma não é senão o vazio, /O vazio não é senão a forma”. Devo dizer que “isto” deixa-me curioso. Foi seleccionar um Sutra que tão fortemente ataca as quatro verdades budistas e encara a Realidade de uma forma tão pouco conceptualizada. Em conclusão, parece que se encontra aqui uma primeira pista sobre o que é o “elogio do fracasso”, descontando o simples sarcasmo do título, o fracasso revela-se ao leitor da primeira página, ele vai falar do fracasso de encontrar a realidade. É, este dharma irritante lixa-nos a todos. Daí o sorriso idiota do autor que acompanha o texto de introdução.
Ao menos as espectativas caíram até um fundo de onde não podem sair, penso que isto me ajudará a ler o livro e contar-vos a história do fracasso do João Freire.

Thursday, May 03, 2007


Let op!

banda sonora: Susanna & The Magical orchestra - Love will tear us apart

Para os mais astutos, faz tempo que não actualizo o meu blog. Ora, sem desculpas, também faz tempo que não escrevo um mail com mais de duas linhas e cujo texto não seja algo implicito no tom de:" Depois escrevo!"

Ou seja, ando sem vontade de dizer o que quer que seja. Tant pis!
P.S. Alguém faz puto ideia porque é que o meu "blogger" está em Holandês?


Thursday, April 19, 2007

A porra das saudades
banda sonora: ver video abaixo
Sei que não tenho escrito. Sei que também não têm sentido falta. Andei em exames e viagem a Portugal. País mais marado que o meu não há, uma ponta de orgulho por tudo o que por lá corre mal, faz parte de ser Português, adorar e detestar Portugal. Passar por portugueses no estrangeiro e evitar falar com eles, silêncio para não se ser reconhecido e pensar: "porra, estes gajos andam por todo o lado". De qualquer modo, as saudades não são de Portugal, são de viajar, de andar de um lado para o outro, de fazer a europa com 100 contos sabiamente investidos em sandes de atum e uma pousada aqui e ali. De não parar, de não barbear, de não pertencer ao sítio onde se está, olhando para a cidades pessoas e cortes de cabelo como se fosse tudo uma colóniazita de laboratório em que podemos mexer e seguir caminho. Não pertencer a nenhum lado, esquecendo temporariamente quem e o que somos. Não ter raizes, viver sem saber quando vem o próximo duche de água quente e saborear um quando aparece. Viver sem rádio, sem televisão e com imensas horas para olhar pela janela vendo as vacas a pastar, trocadas ao fim de horas por capim seco enquanto nos dirigimos para o sul. Chegar à Estação do Oriente, pedir um galão, e de imediato querer voltar a subir a plataforma e partir, partir, outra vez sem saber ao certo de onde, mas sempre para Este, afinal, a vantagem de se partir da ponta ocidental da europa é que só há uma direcção, uma pequena tabuleta que lê: "Saída". (N. do T. deveria ler "fuga").

Chemical Brothers: Star Guitar

Tuesday, March 27, 2007


Peço Desculpa, mas...



banda sonora: A Portuguesa



Eu bem sei que sou emigrante, mas gosto de pensar que ainda percebo alguma coisa do que se passa em Portugal e o que corre na mente dos Portugueses. Bom, não muito, também a viver em Portugal nunca percebi bem a mentalidade reinante, mas agora desisto, atiro a toalha ao chão em tentar perceber que raio de juízo (ou falta dele) se encontra disseminada por Portugal fora. Ao que parece, Salazar finalmente ganhou umas eleições. Foi eleito como o mais grande dos grandes Portugueses segundo um programa realizado pela RTP.



Ora, este programa eu nunca o vi, apenas li algo no Público on-line sobre os candidatos onde achei maravilhoso referirem-se à Ínclita Geração como a "Inclita geração", como se a palavra fosse grave e não esdrúxula. Ok, também falho acentos quando teclo e não escrevo, mas eu não escrevo para o Público.



Bom, mas para o que conta, a Ínclita Geração, rebaptizada como "Inclíta" Geração, perdeu, assim como todos os restantes Portugueses em 800 anos para Salazar.



Resta saber é com que prazer os Portugueses celebrarão o próximo dia 10 de Junho, dia de Camões, será que irão trabalhar como se não fosse feriado? Ou vamos rebaptizar o dia nacional como dia de Salazar já que é este o nosso novo heroi.



Com o extra de ter sido eleito!

Friday, March 23, 2007

I knew it, I knew it...
Noticia encontrada no jornal,
"Woman with a phobia of supermarkets died after fall outside Co-Op

A woman who had a fear of supermarkets died after collapsing outside a Co-Op store.
Shannon Little, 43, of Deerfern Close, Great Linford sustained brain injuries when she fell to the ground as she left the Co-Op on her estate at 5.30pm on October 25.
She had a history of panic attacks in small supermarkets.Paramedics were called to the scene where they had to restrain Mrs Little, who had become agitated.She was taken to Milton Keynes hospital but died later that night. Her brain had swelled due to bruising.
Husband John said: "Her conditions, her anxieties, often manifested themselves in supermarkets.That size of shop seemed to have an adverse effect on her."The fact that the fatal accident occured outside a small supermarket would be in keeping with this. Her panic attacks were prevelant in supermarkets so the fact that it was a supermarket, for me, was not a surprise."
Mrs Little, who has a 15-year-old daughter, also had bruising on the right side of her face.She had reported an assault to police three days before on October 22 in which she alleged two males punched her and grabbed her handbag outside a supermarket in Neath Hill.
But she decided not to pursue it further.After she died, police re-opened the case as a manslaughter investigation in case her death was related to injuries sustained in the alleged attack.But consultant pathologist Dr Hunt said: "There was no evidence of any injury to the brain that was older than 48 hours."
Police were unable to find evidence of the assault on CCTV or through witness appeals and closed the case.Toxicology tests showed Mrs Little was not intoxicated when she fell. Dr Hunt said she may have fainted or might have been having a fit due to alcohol withdrawal.Doctors considered transferring her to specialist neurological wards elsewhere but were unable to find a bed.
Mr Little said: "I really feel they did the best they could have done." Dr Hunt said: "Her injuries were of a severe nature, not the type you would expect recovery from." Deputy Coroner Tom Osbourne recorded a verdict of accidental death."
in MK News (www.mk-news.co.uk)

Monday, March 19, 2007


"Allgarve"


banda sonora: ABBA - Fernando


Hoje de manhã apareci na faculdade para a aula das 9:00. Sendo sempre um sacrificio aparecer cedo, pior é descobrir que não tinha aula às 9:00. Pior, começou a nevar inesperadamente.


De volta a casa, com três horas para gastar, decidi ver o "Público", clickando distraidamente pelas diversas notícias do país, Portas vai voltar ao CDS (memória curta, a dos Portugueses, ou será medo desespero do partido do taxi?), soldados voltam da Bósnia e finalmente, uma pequena notícia chamou-me a atenção. A nova marca promocional do Algarve é "Allgarve", com crítica do líder do CDS Algarve à proposta incluída baseado em "falta de bom gosto" (deve ter sido incluido o vício no Código de Procedimento Administrativo numa das mais recentes reformas, vício do acto por falta de bom gosto). Não entrando realmente na discussão sobre o gosto da proposta, várias questões me aparecem na mente, as quais não são minimamente exploradas na reportagem:

- Porque é que as campanhas promocionais mudam de 2 em 2 anos, ou de 3 em três anos. Gastam-se milhões de euro em cada promoção, mas depois abandona-se, ou se vende o mais fotografado buraco de golfe do mundo (o caríssimo buraco sete do Vale do Lobo), ou cria-se um simbolo para o turismo de Portugal que, quando começa a ser reconhecido, é deitado ao lixo, enfim, se todas as marcas de sucesso fizessem o mesmo, dúvido que seriam marcas de sucesso, podem imaginar a coca-cola com rótulo azul?, ou chá lipton com um logotipo diferente? Nós por cá não, adoramos mudar as coisas, até a bandeira mudavamos todos os anos se fosse possível (e à minima revolução, saca as coras Portugueses de há setecentos anos e vamos por verde alface com vermelho sangue - ainda que considere pouco claro se não teremos inspirado metade das bandeiras de Africa com a nossa -, a proposta do Guerra Junqueiro de tirar a coroa e deixar a bandeira era pouco radical para a altura. Será que houve concurso público? e "luvas"? Bom, deixemos a especulação. Na verdade não esperava que a reportagem sobre o "Allgarve" trouxesse uma reviravolta de 360 graus e fizesse profundas reflexão sobre a nossa vontade constante de mudança (que até considero boa) e os seus reflexos na incapacidade de fazer uma campanha de marketing decente (o que considero uma lástima).

O que esperava era que alguém perguntasse até que ponto existe involvimento do poder local numa campanha de promoção de uma região. Será possivel que toda a politica que, pelo que reza a noticia, terá repercussões nos próximos três anos de turismo algarvio, seja decidida sem a participação do poder local? Onde entram, não só os politicos mas as associações hoteleiras do Algarve? Principais beneficiados ou prejudicados com uma (in)correcta promoção da sua região? Bom, mas aparentemente o PSD foi totalmente apanhado de surpresa com uma nova campanha com orçamento de milhões de euro de promoção turística do Algarve.

Sempre achei que a diferença entre investimento e desperdício de dinheiro se via, não nos resultados finais da campanha, mas no planeamento que subjaz à dispendiosa campanha realizada.